“Ilusão do Parafuso”, romance de Daniel Neves, não é apenas uma história de migrantes sem lenço e sem documento, é mais um grande capítulo da epopeia nordestina, que narra o drama de seus filhos arrancados à força de sua terra.
Por Júnior Bezerra

“O sertanejo é antes de tudo um forte.” A frase célebre de os Sertões de Euclides da Cunha é única frase que me vem à cabeça quando leio a história do meu povo nos livros de Jorge Amado, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, João Guimarães Rosa e agora em Daniel Neves no seu livro a Ilusão do Parafuso. João, Berenice, Gertrudes e Nilza são a personificação do nosso povo. Povo marcado pela sina do sertão implacável que os faz descer para o Sul, para ver o mar e se lembrarem que a água do sertão também é salgada, e como aquela, não se bebe.
Nosso povo que não narrou, mas foi narrado hoje vê seus filhos graduados, mestres e doutores contando a história de seus avôs e avós; gigantes que venceram a catinga subindo no lombo do pau de arara e descendo para o sul para fazer um novo Sertão. Seus filhos hoje não mais se envergonham de dizer: “sim, meus avós, lá da Bahia, de Alagoas, de Pernambuco, da Paraíba, do rio Grande do Norte, do Piau, do Ceará, do Maranhão.” Nosso povo outrora foi objeto, descrito por doutoras Lúcias e doutores Marcos; hoje, seus filhos são sujeitos e recontam a história de seus antepassados, gente de sangue quente, sangue que jorrou dos canudos, sangue que jorrou de Lampião, sangue que redimiu nossos irmãos e foi estancado, mas a ferida ainda está aberta, mas cicatrizando.
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Ilusão do Parafuso não apenas uma história de migrantes sem lenço e sem documento, é mais um grande capítulo da epopeia nordestina que narra o drama de seus filhos arrancados a força de sua terra.
O Sertão virou mar? Sim. O mar da solidão das veredas e areias onde reina a solidão e a saudade de seus filhos. O mar virou sertão? Sim. A brava gente que desceu para o mar trouxe no coração um pedaço do sertão no coração e suas lágrimas desceram e encheram o oceano.
Júnior Bezerra





