Por Bruno Quixote
Três letras. Duas vogais. Uma consoante. Na tarde de hoje, toquei à casa de dona Ada. Uma senhorinha de cabelo grisalho, olhos azuis e um mapa de vida desenhado no rosto. A tarde de verão anunciava chuva, eu observava o seu quintal, trazia-lhe orientações a fim de evitar adoecimento por dengue. Parei de falar-lhe, notei que dona Ada queria contar-me estórias.
Dona Ada me conduziu ao embarque de suas memórias… a vi com sete anos a andar de bicicleta numa rua de terra de frente à igrejinha da cidade; a vi com oito anos vestida com roupa que sua mãe preparou para que pudesse andar a cavalo com elegância de menina, era uma saia rodada com costura no meio; vi seu avô navegando Oceano a sair da Alemanha em guerra.
Após imagens e mais imagens terem passeado pela janela de minhas retinas, dona Ada freou o trem de suas memórias. Disse-me que estava feliz por minha presença ali, com ela. Completou fala, com voz em emoção, dizendo-me que o tempo de hoje era o tempo de seu aniversário, 84 anos.
Ao fim da viagem, no desembarque, nos abraçamos. As nuvens se fizeram choro.
(Diário Pedagógico (25 fev,_26)






